Não é que o lago já não esteja gelado mas é de facto uma luta chegar até ele, de tanta neve que por cá caíu. E hoje não nevou mas está tudo alagado. Se antes era uma desafio andar de bicicleta, agora é um desafio andar a pé.

De notar que ainda tinha as duas luvas e a fita para as orelhas vindas da Decatlon… eu perco tudo é um facto!


Credits:
Fotografia – Martina
Ideia – Alberto

E como estou numa de silêncio, a selecção de vídeos no “you to be” para hoje é Silence 4 essa banda que veio cantar em Inglês para os adolescentes da altura e rapidamente se foi.

Há certas semelhanças com a assinatura de António Variações, neste momento revejo uma o que me faz inferir que haja mais, tem lógica não tem? Vejamos então o simples refrão de uma das músicas “I will try again tomorrow” com o “é para amanhã”.

E é altura de respirar o silêncio e a brancura do quarto ao fundo do corredor. A alegria de partilhar conversas com a minha nova vizinha chamada Carolina. Deste lado da vida ouvem-se os pássaros em vez das ambulâncias. Vale também o fim da época de exames que valeu uma directa no curso do ambiente – quem me manda andar a estudar física e não ter capacidade de resposta para 2000-3000 palavras em 24 horas.

A neve, essa cai e cai e se não se tem cuidado a pedalar também se cai e cai. Ontem no regresso tardio a casa armei-me em valente, tentei empurrar a bicicleta no lago mas a neve ía até aos joelhos pelo que foi pela margem enquanto eu seguia a branca e profunda viagem. A certo ponto tentei ver onde estava o lago gelado mas quase que ía sendo engolida.

O lago de dia cheio de gente esta manhã – reparem na bicicleta com medo de ir molhar-se mas o rapaz diz vamos lá!

Diz quem sabe que já não nevava assim em Copenhaga desde 1987.

Hoje tive de mandar um grupo de italianos dar uma volta ali mais para o fundo do edifício, não se calavam. Já me estava a chatear um pouco, além de que uma das italianas na minha mesa precisava mesmo de se concentrar e aquela gente ali a parlar italiano aos altos berros como se tivessem no café do sr. Chico.

Novidades da sobremesa. Estou quase para mandar um email à Vaqueiro por não porem o correspondente de margarina normal com a nova e especial vaqueiro líquida… sobreviveu o topo da bavarois, o resto estava líquido… não tenho fotografias e não vou fazer por tê-las.

Faltam poucos dias para os exames e a nova aventura culinária foi Bavarois de gengibre! Fica a fotografia em stand-by à espera que arrefeça no frigorífico.

Hoje já de noite a rapariga dos cinemas que se veste à Vintage teve uma reunião de cup-cakes com calda de limão para celebrar o seu aniversário que fui há uns quantos dias atrás, mas como um senhor que dizem que nasceu há 2010 anos lhe roubou o dia ela achou por bem ter uma reunião de amigos na cozinha. E os cup-cakes estavam yumm yumm.
E já perguntava o meu orientador, se as super-novas (seria? ou outra coisa qualquer) se ali (na situação estudada) era como os italianos, quando se vê um sabesse logo que estão mais uns quantos à volta. Pois bem, havia um italiano no meio dos dinamarqueses. Apenas mostra que a hipótese não é necessariamente válida quando o núcleo de humanos é dinamarquês.

A cantina do Bio centre tem janelas do chão ao tecto, de um canto ao outro, em dois lados paralelos.

Hoje enquanto almoçava e olhava para a rua senti-me como se tivesse a viver naquele preciso instante dentro de um quadro em que alguém se tinha esquecido de pintar o céu. O céu estava quase da cor do chão, branco. O tradicional branco sujo mas sem nenhuma iniciativa de uns tons mais carregados aqui e ali. Era uma cor sem alegria nem sentimento, constante em toda a atmosfera. O pintor anda a meter umas férias. Distraída da conversa, imaginava pinceladas de azul em cima daquele prédio cor de tijolo, e do outro e por alguns segundos viu-se o azul.

Anseio pela primavera, já não consigo viver em tons de cinzento e branco e cor de tijolo.

Mas nem tudo é desamores com o pintor de férias. Gosto de andar pela neve que se estende fora do passeio salgado, onde ainda ninguém passou a não ser os pássaros da zona, vê-se o rasto dos pequenos seres a sairem das árvores e passarem para outra. Com o meu super-calçado para a neve lá vou a pensar que estou a pisar a areia molhada, faltando só o cheiro a maresia.

Vista do quarto (até ao fim do mês) enquanto se tenta estudar a não-lineariedade das coisas no k-space¨.

¨Para gente desinteressada: Um filme muito mais à frente do que o Avatar em 3D seria mesmo um filme no ‘k-space’. Trocar os filmes do ‘real space’, isso sim é que era novidade em filmes de animação, e aí o x-man íria fazer todo o sentido. Contínuo a pensar que esta gente anda a formar pessoas para ficarem malucas, ou sou só eu que tenho essa impressão?

As claras não foram para as farófias, mas sim para os ovos mexidos sem gema.
Talvez meio inspirada nos cozinhados da Carla Carlota, me vejo novamente a colocar fotografias dos meu cozinhados (já que hoje não me aventurei na sopa Tailandesa – sei lá se iriam pôr vestígios de carne ou não – o mais certo é que sim).

Receita:
Refogado com cebola, alho e alho francês; Cogumelos cortados às fatias lá para dentro; Bater as claras até acharem que estão na textura que querem, juntar sal e juntar natas de soja; bota lá para dentro; Vira quando estiver cozinhado num dos lados; colocar fatias de queijo, tomate e azeitonas cortadas aos bocados; Ter cuidado a pôr os óreganos (eu preferia ter posto manjericão mas estava escasso).
Salada de espinafres, alface, cebola, passas, avelãs laminadas (por mim) e abacate fornecido por uma vizinha que não vai levar os abacates com ela na viagem para a Jutland amanhã! Tak skal du hav!

Já vos contei que aqui as distâncias mudam de porporção?
Pois bem:
Ida para o museu Ordrupgaard – cerca de 5kms a Norte de casa indo pelo interior pois era o caminho mais simples, apenas com uma decisão na rotunda que me valeu dois minutos de indecisão. Indo pelo interior só se apanha subidas. E após uma subida a tal esperada descida? Um planalto! Um planalto minha gente! Onde é que em Portugal após uma subida vem um planalto? Isto é de desmotivar uma pessoa! Mas não, vai-se passando pelo parque de Charlote e pelas vilas que aqui devem ser consideradas cidades. Cheguei 30 minutos depois de ter partido de casa – sim aqui pedala-se devagar. Ainda para mais quando estão temperaturas negativas na ordem do Célcio e ligeiro vento. No entanto, cheguei antes da gente que vive perto do museu. É sempre assim!
Não tenho fotos (a não ser uma cadeira retirada do site deles – ver no fim do post) mas posso referir umas quantas coisas:
- É difícil perceber qual a entrada do museu, que não é entrada. É apenas a bilheteira e cafeteria;
- Tem de se sair para o exteriror e entrar noutro edifício;
- Novamente sair e entrar noutro edifício;
- O bilhete é um autocolante que se mete na roupa;
- O bilhete foi metade do preço porque estão a colocar a exposição temporária que ainda não pode ser vista;
- No primeiro edifício: arte dinamarquesa dum lado: quadros escuros ora da natureza, ora da cidade, ora de espaços interiores (a sério, um quadro duma sala escura com uma janela coisas assim) era um pouco triste; arte francesa do outros -que já tinha mais piada: quadros de gente conhecida como Degas, Renoir, Delacroix, Pissarro e Gauguin entre outros. Também esculpturas, umas conhecidas outras não. Umas estranhas, outras menos estranhas feito por artistas que só pensava que podessem ser pintores; a história das colecções e da arquitectura das salas era interessante. Por exemplo, uma ala da casa foi feita inspirada em museus, esta era uma casa particular e os donos do sítio pediram ao arquitecto que fizesse aquela ala a pensar nos quadros franceses, com muita luz natural que no Inverno não dá para aperciar. Na altura muito antiga de há uns anos atrás, os donos da casa acharam por bem não terem os quadros só para eles aperciarem então abriam ao público uma vez por semana (duas no Verão) para os dinamarqueses poderem ver os quadros franceses.
- Ainda no primeiro edifício entre os Dansk e os Francieu havia um espaço vidrado com cadeiras e mesas com duas oliveiras grandes de cada lado e alguns objectos de parcenças egípcias;
- Colocar os gorros e as luvas em direcção ao segundo edifício atrás do monte: era a casa do arquitecto que criou o design interior do “Trusteeship Council Chamber at the UN headquarters in New York”, o senhor chama-se Finn Juhl e se não tivesse H no apelido assemilhava-se a Natal. Foi engraçado ver a casa, toda a mobília foi ele que a criou!

Continuando com a saga das distâncias, aceitei o convite das gentes de Charlotte para um café na casa com trapézio na entrada. A casa fica a Sul do museu, logo mais perto da minha. Seguindo a ideia já discutida de que era mais rápido ir pelo interior porque demorei 30 minutos, os Chalotteanos dizem-me que preferem ir pela costa porque é mais interessante. Apesar de eu saber que em tempo normal se demora 40 minutos a chegar a minha casa, segui pela costa cometendo o erro no caminho de não ter virado logo à direita acabando em ir em direcção ao sentido oposto de minha casa – situação rapidamente controlada. Um vento terrível pela esquerda, sempre plano (lá foi a minha ideia de voltar pelas descidas), terrível frio frio, tendo acabado a bateria do mp3 conseguia até ouvir as ovelhas-fantasma e pedalar e pedalar foi terrível e ao fim de uma hora e vinte minutos estava no quentinho da residência, mas sofri! E não me apanham a pedalar pela costa no Inverno tão cedo.
De notar que os Charloteanos agora têm passe até ao fim dos mês e ou vão de Comboio+Bus ou então Comboio+Bicla já que o novo ano trouxe a graça de se poder levar a bicicleta nos S-tog a custo de zero croas.

E hoje com o motivo de resistir umas horas ao estudo, fiz pãezinhos de leite, a côdea não ficou mole como nos pães de leite do supermercado mas sabem muito bem e ficaram quase que perfeitos terminados com uns salpicos de sementes de sésamo “on top”.
Ficam as claras reservadas no frigorífico à espera de experimentar fazer farófias amanhã que hoje o leite ficou esgotado no meu frigorífico e estou com preguiça de ir ali ao supermercado. Mais uma desculpa para “fugir” ao estudo.

Fica aqui a foto de um pão de leite já pela metade e do cozinhado do jantar. Um bacalhau com natas, sem ser no forno , sem bacalhau e sem natasde origem animalesca.

Avizinha-se o dia da grande mudança para o fundo do corredor.

Neste exacto momento em que estou deitada a ouvir música como se nada se acontecesse lá fora (e a escrever para o mundo) sei que em breves instantes vou aventurar-me na arrumação do quarto.

Os exercícios do E-course já estão feitos e discutidos. Amanhã é dia de começar a ser física 2010 a sério em vez de ambientalista. Por essa forte razão vai ser feita vistoria geral ao quarto que tem por exemplo, uma pilha de roupa numa das cadeiras e uma webcam debaixo da cama (nota pessoal: nunca mais deixar coisas aleatórias espalhadas antes de ir para algum lado durante um mês).

O facto de ir arrumar as coisas em profundidade, vai ter consequências graves: mudar a mobília de sítio – estou com a ideia de ter a cama noutro lado com a cómoda do outro e coisas assim, quase como experimentar a ver se resulta antes de me mudar. É algo que não consigo explicar mas já devo ter mudado a mobília de lugar mais de 7 vezes, quase como experimentar todas as combinações possíveis de colocar os objectos versão não IKEA… entre 3 paredes e 2/3 (sim, são três paredes e dois terços, uma pessoa tem de entrar por algum lado e neste caso a entrada não é desprezável em relação ao tamanho da parede).

Notícias da bicicleta alfacinha em copenhaga: quando fui buscá-la a chave continuava sem rodar, telefono para o amigo para pedir água quente e como é óbvio ele estava no banho! Estava bastante frio na rua e após quatro chamadas a irem acabar no voice mail, retomo à bicicleta e reparo no café mesmo em frente ao parque das bicicletas, brilhante! Entrei e pedi por água quente para descongelar o cadeado. A rapariga foi bastante prestável dando-me água quente num copo de papel e passados uns minutos lá estava novamente a pedalar. Quando cheguei à biblioteca fechei a bicicleta com o outro cadeado e decidi não arriscar fechá-lo então guardei-o num cacifo da biblioteca. Cúmulo do dia: ao abandonar o recinto académico não consegui abrir o cacifo e teve de ir lá a senhora bibliotecária com os seus anos de experiência a abrir cacifos…

I’m done with lockers!

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