Não. Continua frio que querem que diga?

Entretanto imensas coisas por fazer. Estou bastante animada. Além da tese e do curso de Cosmologia que me obriga com um sorriso a voltar-me para o C++, vou experimentar ser voluntária numa Organização não-governamental para a educação e projectos que ajudem a mitigar e prevenir Climate Change with Climate Action. A ver se no domingo percebo melhor o que fazem, mas “eles” têm imensos projectos em escolas em divulgação e estão agora a começar a trabalhar na localidade, ao que parece a primeira freguesia a pensar em eficiência energética! Anyways, era algo que procurava há muito e felizmente uma amiga do mestrado falou disto por acaso e agora anda a mostrar-me uma nova Copenhaga, é fascinante. A mesma amiga das energias
(e também das Dark energies) falou-me de um workshop de Capoeira organizado por um professor de Capoeira que também pertence à organização e vem lá do Brazil e fala inglês só para latino’s speakers. Infelizmente não correu muito bem para ela porque eu tenho mais força nos braços no que nas pernas e então numa cambalhota nas minhas costas ela caput de cabeça para o chão, felizmente nada de grave. Overall, foir muito fixe ainda estou a remoer das costas e dos saltos de costas no ar. Fiquei positivamente surpreendida e talvez continuemos com a aventura da Capoeira.

Mais, esta semana é o “Chopin Festival” no Conservatório de Copenhaga. Da primeira vez a sala estava cheia encontrando lugar só na segunda parte, e hoje que me interessava bastante (a minha paixão por violoncelos estava bem presente) só pude ouvir de fora da sala. Cheguei 5 minutos antes do espetáculo e não foi o suficiente, a certa altura quando algumas pessoas “abandonaram o recinto” (mesmo à comentador da bola) deixei passar por cortesia o senhor já de cabelos brancos que lia a revista e seguia com a mão os tempos importantes da peça, resultado a Catarina continuou sem lugar e ficou a escutar fora da sala no sofá confortável por baixo do altifalante. Segunda-feira, a sala será maior, o último dia de espetáculo e farei questão de ir meia hora mais cedo no mínimo.

E hoje depois do jantar (congelado em jeito de pré fim-de-semana como se quer) fui patinar no gelo! Ainda não tinha estreado os patins este ano como deve ser, e cada vez que me meto em cima dos patins penso nos corajosos patinadores artísticos e do meu querido Evgeni Pkushenko que nestes Jogos Olímpicos de Inverno ficou em segundo-lugar em vez de primeiro, who cares? he’s the best ever! Já o Tuga tadito, vale pela coragem mas já nem me lembro qual a modalidade de participação.
Mas continuando, a pista ao ar livre estava deserta sob o céu limpo, dava para se distinguir pelo menos Orionte e a Cassiopeia e desisti de identificar o resto porque fico irritada cada vez que olho para o céu sempre à procura de padrões antigos.

Resumindo: Está frio! Está muito frio! A senhora Internet diz que estão actualmente -3ºC mas que com o vento aparenta -9ºC e que a certa altura da noite estarão uns razoáveis -6ºC isto num país que diz que já é Primavera…

Passados vários meses desde a primeira queda de neve a sério por altura do COP15, finalmente esta se derrete com temperaturas positivas mas ainda perto dos 0ºC! Agora se revela o que estava debaixo de tanto manto branco.

Gostava só de deixar um pequeno pensamento acerca do manto branco. Além de estar farta do manto branco, em alguns sítios o branco era assim a modos que cinzento. E isto nota-se nas estradas com grande fluxo de automóveis. “It’s disgusting!” só de pensar aquela porcaria toda nos meu pulmões…

E para quem andava toda feliz de nunca ter andado de automóvel em Copenhaga, já não posso continuar com a mesma afirmação. Também era algo que queria experimentar só para ter uma ideia, por isso quando surgiu a boleia não disse que não mas não faço tensões de repetir o feito. Assim de repente, não tem nada de especial. É só preciso estar com mais atenção às bicicletas e peões, às ruas que estão cortadas ao trânsito e ter cuidado com o gelo no lado direito da estrada, por isso na maioria das vezes andam pela faixa mais à esquerda, acho eu que é por isso. Reparo muitas vezes quando tenho de atravessar a estrada aqui ao pé de casa que à fila na faixa da esquerda e não na da direita então o “esperto” cá do sítio resolve mudar para a direita desatento ao facto que estão peões ou ciclistas a atravessar a estrada transversalmente, sim porque aqui temos passagens sem passadeira, às vezes os automobilistas páram assim do nada, deixando-nos passar sem nos atropelar (: eles são normalmente responsáveis apesar de às vezes se ouvir histórias meio esquesitas…

Sem carro mas de bicicleta, finalmente fiz 6 kms a subir e a descer por essa Dinamarca, sim porque 6 km para NO e uma pessoa já não pode dizer que está em Copenhaga. Foi fantástico ir a grande velocidade como em Lisboa feitos em 20minutos, acredito que não pedalava assim à muito tempo, pelo menos desde do Natal passado em Lisboa.

Anyway, a Primavera aqui começa dia 1 de Março (parece que fazem uma average da temperatura), guiados pela estação metereológica e não a do movimento da Terra em torno do Sol. É estranho é que as árvores continuam caducas.

Ontem fui a uma Housewarm party de gente do grupo “Quantop” cá do sítio (que não é o meu) ou seja, chegar a casa a horas não muito normais mesmo que me sinta um pouco doente da garganta. Mas a questão nem sequer é a festa. A questão foi o acordar hoje de manhã a horas impróprias porque os meninos do corredor finalmente se lembraram de preparar o pequeno-almoço às meninas, o que implica ir a cantar a todos os quartos femininos ” Fastelavn, er mit navn! Boller vil jeg have, hvis jeg ingen boller får så lave jeg ballade” meaning “Festlavn é o meu nome eu quero pão, ’senão vou partir isto tudo’ ” é algo deste tipo. Logo no dia em que eu pensei, só vou trabalhar na segunda, vou dormir até acordar naturalmente sem preocupações. Bateram-nos na cama com os ganhos e deram-nos “Gammle Dansk” como shot logo de manhã, e eu como é óbvio ingenuamente acreditei que era sumo de maçã porque eles de certeza que não íam dar aquela porcaria às meninas logo de manhã…. ou então sim!

Festlavn é algo como Entrudo, em que se bate no gato preto para ter boa sorte, isto porque na altura da praga se pensava que os gatos pretos eram os transmissores – gente esperta, matarem os gatos à paulada, depois quem é que come os ratos?

Apesar de cansada e quase a cair para o lado com tanta tosse a ranhoca pude experienciar os deliciosos pãezinhos caseiros, com manteiga, queijo ou doce, café fresquinho, sumo de maçã ou laranja, e laranjas cortadas às meias-lua. Não sei o que hei-de pensar deste povo que é tanto vicking por bater em gatos, e queimar bruxas mas que depois fazem pão no forno de manhã.

Very very nice. Mas preferia ter ficado a dormir e ir pedalar sem destino sob este céu azul parece estar um dia bastante acolhedor lá fora. Em vez disso vou ficar a preguiçar no meio dos lençóis. Até mais logo.

Aquando do jantar de carnaval antes da festa. O prato feito para 15 pessoas era “chili con carne” e outro “chili con lentilhas” acompanhado por arroz e pão caseiro.
Os comentários da minha vizinha são tão preciosos que tenho de partilhar:
“Desculpa se as lentilhas não estão interessantes, não estamos habituados a cozinhar comida vegetariana” – além de fazerem imensos pratos vegetarianos na minha cozinha e não só por mim, há um factor que se calhar deveria ter especificado naquela situação: As lentinhas substituem a carne, ou seja: tudo o que se faz para a panela da carne mete-se também na panela das lentilhas excepto a carne. Assim, a Catarina não precisava de ter comido apenas lentinhas com chili enquanto os outros se deliciavam com carne com chili e pimentos, feijão, milho e outras coisas que mais… e ainda lentilhas a acompanhar. Mal por mal, os vegetarianos saem sempre a perder! E eu nem consigo ser uma verdadeira vegetariana, porque pelo menos uma vez por semana alguém faz o favor de fazer peixe então aí rendo-me e apercio o “delicioso” peixe congelado, sem espinhas, sem escamas, sem pele, sem ovos, sem barbatanas ou gelras.

Mas continuando, além do já referido comentário e vendo que o meu prato não estava colorido (ao contrário da carne), a minha vizinha ainda se justificou com “Mas temos ali queijo e fiambre se quiseres pôr mais alguma coisa no pão” – o meu queixo quase que caiu no prato, fiquei tão indignada que simplesmente murmurei um não obrigada! Além de haver este vício de se pensar que os vegetarianos só comem queijo (coisa que eu nem sequer deveria comer por causa do colestrol) o facto de sugerir fiambre foi demais! Eu começo a pensar que ela não faz ideia de onde é que o fiambre vem… mas prefiro pensar que foi apenas um lapso.

Confesso que tinha pensado em comer carne. Antes no Natal, mas não consegui o cheiro do cabrito só me fazia torcer o nariz. Então pensei pela altura do Carnaval, mas agora nem sequer me me sinto preparada para o fazer. Vejamos também que chili com carne não é assim um prato nada sugestivo, nada apetitoso e sem sabor, depois ainda ficava a moer aquilo a noite toda, não iria ser nada divertido. Por enquanto não se avizinham datas memoráveis para voltar a pensar em comer carne. Confesso que não me lembro qual foi o último prato com pedaços de carne de origem mamífera ou aviária que consumi, mas deve andar à volta dos nove meses (:

Em bom falar popular em relação ao estado do tempo, passo a facultar as seguintes informações:
- passamos de muito frio para frio;
- está um belo “window weather” (tradução: ainda não sabemos como alterar o aquecimento da sala dos mestres jedis e pela janela entram finalmente raios solares);
- o facto de não ter nevado ontem nem hoje faz com que o piso se encontre escorregadio com direito a quedas tais como a que ouvi hoje de manhã quando uma senhora que no outro lado da estrada caiu cataplim! – o som característico de uma bicicleta a tocar no solo com velocidade diferente deste último.

Informação postal: Os correios abrem às 10:30h e fecham às 18:00h – é suposto eu ir lá quando?! Anyway, ao menos também trabalham Sábado de manhã.

Não é que o lago já não esteja gelado mas é de facto uma luta chegar até ele, de tanta neve que por cá caíu. E hoje não nevou mas está tudo alagado. Se antes era uma desafio andar de bicicleta, agora é um desafio andar a pé.

De notar que ainda tinha as duas luvas e a fita para as orelhas vindas da Decatlon… eu perco tudo é um facto!


Credits:
Fotografia – Martina
Ideia – Alberto

E como estou numa de silêncio, a selecção de vídeos no “you to be” para hoje é Silence 4 essa banda que veio cantar em Inglês para os adolescentes da altura e rapidamente se foi.

Há certas semelhanças com a assinatura de António Variações, neste momento revejo uma o que me faz inferir que haja mais, tem lógica não tem? Vejamos então o simples refrão de uma das músicas “I will try again tomorrow” com o “é para amanhã”.

E é altura de respirar o silêncio e a brancura do quarto ao fundo do corredor. A alegria de partilhar conversas com a minha nova vizinha chamada Carolina. Deste lado da vida ouvem-se os pássaros em vez das ambulâncias. Vale também o fim da época de exames que valeu uma directa no curso do ambiente – quem me manda andar a estudar física e não ter capacidade de resposta para 2000-3000 palavras em 24 horas.

A neve, essa cai e cai e se não se tem cuidado a pedalar também se cai e cai. Ontem no regresso tardio a casa armei-me em valente, tentei empurrar a bicicleta no lago mas a neve ía até aos joelhos pelo que foi pela margem enquanto eu seguia a branca e profunda viagem. A certo ponto tentei ver onde estava o lago gelado mas quase que ía sendo engolida.

O lago de dia cheio de gente esta manhã – reparem na bicicleta com medo de ir molhar-se mas o rapaz diz vamos lá!

Diz quem sabe que já não nevava assim em Copenhaga desde 1987.

Hoje tive de mandar um grupo de italianos dar uma volta ali mais para o fundo do edifício, não se calavam. Já me estava a chatear um pouco, além de que uma das italianas na minha mesa precisava mesmo de se concentrar e aquela gente ali a parlar italiano aos altos berros como se tivessem no café do sr. Chico.

Novidades da sobremesa. Estou quase para mandar um email à Vaqueiro por não porem o correspondente de margarina normal com a nova e especial vaqueiro líquida… sobreviveu o topo da bavarois, o resto estava líquido… não tenho fotografias e não vou fazer por tê-las.

Faltam poucos dias para os exames e a nova aventura culinária foi Bavarois de gengibre! Fica a fotografia em stand-by à espera que arrefeça no frigorífico.

Hoje já de noite a rapariga dos cinemas que se veste à Vintage teve uma reunião de cup-cakes com calda de limão para celebrar o seu aniversário que fui há uns quantos dias atrás, mas como um senhor que dizem que nasceu há 2010 anos lhe roubou o dia ela achou por bem ter uma reunião de amigos na cozinha. E os cup-cakes estavam yumm yumm.
E já perguntava o meu orientador, se as super-novas (seria? ou outra coisa qualquer) se ali (na situação estudada) era como os italianos, quando se vê um sabesse logo que estão mais uns quantos à volta. Pois bem, havia um italiano no meio dos dinamarqueses. Apenas mostra que a hipótese não é necessariamente válida quando o núcleo de humanos é dinamarquês.

A cantina do Bio centre tem janelas do chão ao tecto, de um canto ao outro, em dois lados paralelos.

Hoje enquanto almoçava e olhava para a rua senti-me como se tivesse a viver naquele preciso instante dentro de um quadro em que alguém se tinha esquecido de pintar o céu. O céu estava quase da cor do chão, branco. O tradicional branco sujo mas sem nenhuma iniciativa de uns tons mais carregados aqui e ali. Era uma cor sem alegria nem sentimento, constante em toda a atmosfera. O pintor anda a meter umas férias. Distraída da conversa, imaginava pinceladas de azul em cima daquele prédio cor de tijolo, e do outro e por alguns segundos viu-se o azul.

Anseio pela primavera, já não consigo viver em tons de cinzento e branco e cor de tijolo.

Mas nem tudo é desamores com o pintor de férias. Gosto de andar pela neve que se estende fora do passeio salgado, onde ainda ninguém passou a não ser os pássaros da zona, vê-se o rasto dos pequenos seres a sairem das árvores e passarem para outra. Com o meu super-calçado para a neve lá vou a pensar que estou a pisar a areia molhada, faltando só o cheiro a maresia.

Vista do quarto (até ao fim do mês) enquanto se tenta estudar a não-lineariedade das coisas no k-space¨.

¨Para gente desinteressada: Um filme muito mais à frente do que o Avatar em 3D seria mesmo um filme no ‘k-space’. Trocar os filmes do ‘real space’, isso sim é que era novidade em filmes de animação, e aí o x-man íria fazer todo o sentido. Contínuo a pensar que esta gente anda a formar pessoas para ficarem malucas, ou sou só eu que tenho essa impressão?

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