A cantina do Bio centre tem janelas do chão ao tecto, de um canto ao outro, em dois lados paralelos.
Hoje enquanto almoçava e olhava para a rua senti-me como se tivesse a viver naquele preciso instante dentro de um quadro em que alguém se tinha esquecido de pintar o céu. O céu estava quase da cor do chão, branco. O tradicional branco sujo mas sem nenhuma iniciativa de uns tons mais carregados aqui e ali. Era uma cor sem alegria nem sentimento, constante em toda a atmosfera. O pintor anda a meter umas férias. Distraída da conversa, imaginava pinceladas de azul em cima daquele prédio cor de tijolo, e do outro e por alguns segundos viu-se o azul.
Anseio pela primavera, já não consigo viver em tons de cinzento e branco e cor de tijolo.
Mas nem tudo é desamores com o pintor de férias. Gosto de andar pela neve que se estende fora do passeio salgado, onde ainda ninguém passou a não ser os pássaros da zona, vê-se o rasto dos pequenos seres a sairem das árvores e passarem para outra. Com o meu super-calçado para a neve lá vou a pensar que estou a pisar a areia molhada, faltando só o cheiro a maresia.
Vista do quarto (até ao fim do mês) enquanto se tenta estudar a não-lineariedade das coisas no k-space¨.
¨Para gente desinteressada: Um filme muito mais à frente do que o Avatar em 3D seria mesmo um filme no ‘k-space’. Trocar os filmes do ‘real space’, isso sim é que era novidade em filmes de animação, e aí o x-man íria fazer todo o sentido. Contínuo a pensar que esta gente anda a formar pessoas para ficarem malucas, ou sou só eu que tenho essa impressão?